verso, prosa e frases soltas, gritos na noite, pulso que pulsa, meia-verdade, meia-justiça e um grilo falante

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quinta-feira, 9 de julho de 2015

Perfume difuso





Amor. Como explicar este sentimento controverso? Como resumir o montante de memórias, sonhos, desejos, sensações vividas por dois? O amor é algo que foge às raias de uma definição reta, cientifica, devido à infinitude de possibilidades que representa. Só pode ser visto uno — percebido concreto — no casal de namorados; no homem e na mulher que renunciam o tempo-relógio para degustar o tempo-pulsação.

Quando o perfume invade minhas tardes, a boca arrasta minha pele, a pele desliza entre os dedos. Quando o castanho escuro dos cabelos clareiam a vista, afagam o rosto, avivam nossa história. Quando o corpo desperta no meu a vontade de mergulhar na forma das coxas, dos seios. De entender a parte e o todo.
Com base na experiência que reservei a uma única mulher, ser poesia, construo a rede de significados para entender o amor. Palavra que, antes de conhecê-la, era reservatório de vazio e percepções alheias.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

About

Essa poesia abstrata é de concreto,
cheira a asfalto e tem cor de mentira.
Se o preço da gasolina forra o piso
                                 [da felicidade,
meus rascunhos perdem sentido.
              [E isso tudo é maravilhoso.

terça-feira, 5 de maio de 2015

A QUEM INTERESSAR POSSA...

Certamente ainda não atingimos o sincero silêncio. Esse inevitável e absoluto momento em que duas pessoas se vêem frente a frente libertas das palavras, ou melhor, aprisionado pela falta delas.

Enquanto esse instante ainda causar angústia, nunca se saberá ao certo se o outro nos despreza, ou simplesmente não tem o que falar; ainda não o entendemos bem. Isso porque a convivência não foi suficiente para apreendermos essa que é uma das coisas mais individuais: o tempo de cada um.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Domingueira

Domingo. Final da tarde. Da varanda observo a cidade que se derrama lá fora. Na rede, balançam eu e meu tédio. Por ser mais pesado, ele vai embaixo, comigo no colo. Até as árvores se movem lentamente. Vejo um dedo de mar rodeado por prédios de todos os lados. É uma cidade fantasma ou a preguiça fez outras vítimas? Cada balançar na rede a penumbra avança. Tomo coragem, levanto a cabeça e verifico a situação na janela da área de serviço - fundos do apartamento. Praquelas bandas o dia insiste ao fundo do horizonte, borrando de amarelo escuro as pontas das casas, tornando pro marrom, com a noite pintada de azul escuro que invade por cima. Umas luzes ao acenderem denunciam existência de vida pré-segunda-feira. Dou-me conta, de repente, por que os poetas e os apaixonados se encantam com o crepúsculo. A esta hora, nossos olhos acariciam o tempo. O Senhor, sempre faceiro e fugidio, revela um instante o instante. Para celebrar o momento conosco, a rede, o tédio e eu, eis que surge uma lua que mal cabe na varanda.